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Oráculo de DelfosTeño hoxe nas mans un exemplar d' A gran Historia de Galicia, obra que este domingo comezará a divulgar o xornal herculino despois de o ter anunciado durante semanas "a voz en grito". Parece unha vasta obra, rica en referencias e con pretensións de modernidade. Haberá quen diga, porque xa é unha reiteración similar á da hora do Angelus, que é unha obra necesaaaaaria. É capaz de o ser. Mais a min vénme á memoria o minúsculo debate que aquí iniciei hai uns días e síntome un bocadiño burlado: teño para min que o feito de que na altura se criticase a novela histórica era unicamente para producir un pouco de algarada no ambiente intelectual, e nada serio que se quixese argüír sobre a novela. Nada interesaba falar sobre a novela. Non sei se a estratexia foi do historiador ou do xornalista, pois co que sae nos medios nunca nada disto se sabe con facilidade, ficando todo sepultado pola falta de vontade de asumir responsabilidades. Afinal venden o mesmo. Por iso prometo non entrar a partir de agora en polémicas deste teor con tanta facilidade.

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Ramón VillaresRamón Villares: "A novela histórica paréceme unha mala solución a un problema. Un escritor debe, basicamente, contar o que sucede na sociedade na que vive. Cando ten que recorrer de forma sistemática ao pasado paréceme demasiada perífrase. É un modo indirecto de rexeitar o relato dos historiadores e apreciar outro. Os historiadores deberiamos tomar nota desta circunstancia". (Culturas, p. 13. Entrevista de Camilo Franco. En La Voz de Galicia, 11-08-2007)

Non me parece razoábel que a novela sexa criticada como xénero desde posicións extraliterarias. Opinións deste teor en contra da novela histórica, un subxénero estabilizado desde o século XIX, delata problemas, si, mais non no ámbito da literatura.

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Pax iberica

Xullo 26, 2007 | 11 Comments

“Jesus disse:
Sem dúvida, os homens pensam
que vim lançar a paz sobre o mundo,
e não sabem
que vim lançar divisões sobre a terra,
fogo, espada, guerra.
Porque haverá cinco numa casa
e três estarão contra dous,
e dous contra três,
o pai contra o filho,
o filho contra o pai,
e manter-se-ão de pé, enquanto são unificados.”

Evangelho Gnóstico de São Tomé,
utilizado polos priscilianistas galegos.

Com duplo sentido titulo este texto, ao meio da presente polémica, aliás recorrente na história de Espanha e Portugal (ou seja da Hespanha, nome geográfico sinónimo da Ibéria até à idade moderna). Porque agora, como dantes, a guerra volta a ser entre as gentes deste urdume singular que os romanos chamaram assim, creio que por querer dizer Terra de Coelhos, ou qualquer cousa semelhante, que até isso parece muito discutido.

Ponha paz então, se algum poder tiver, minha mão, entre os insignes professores e escritores de quem eu tanto aprendi e o não menos ilustre José Saramago, que foste a Canárias por paz e saramagos te deram. Ponha paz, se alguém valorar o sentido da paz ainda, se alguém depois e ao meio de tantas guerras lembrar ainda que tão-só na paz se faz a cultura. E uma vez que o silêncio de canhões tão dignamente indignados reinar, por um momento talvez possamos escuitar que aqui ninguém, ao meu juízo, está a dizer qualquer barbaridade; mas todos, acho humildemente, estão parcialmente desinformados e, ouso julgar, polo menos parcialmente, bem-intencionados.

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Homenaxe aos anarquistas coruñeses de Atochas-Monte Alto 2007Organizada pola Comisión para a Recuperación da Memoria Histórica da Coruña, o venres 29 tivo lugar n' A coruña unha homenaxe aos anarquistas represaliados no 37. Através dun percorrido por dez lugares representativos (casas e prazas) do bairro Atochas-Monte Alto, foi rememorada e reivindicada a luz que o movemento libertario herculino ofreceu á sociedade urbana até que o alzamento fascista determinou a súa extinción.

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Jacob BurckhardtO outro dia prometi trazer ao blog uns pensamentos do historiador e crítico de arte Jacob Burckhardt com o propósito de esclarecer a ideia de cultura ou, polo menos, de reflectir sobre os condicionantes que delimitam o sentido desta palavra. Foi uma pequena casualidade o que me levou a trazê-lo a colação. Passeava polos cantões corunheses há pouco quando deparei no chão, à beira dum quiosque, um volumoso livro intitulado Historia de la cultura griega, de Jakob Burckhardt. Estranha ironia, pensei, a que nos oferece a sociedade contemporânea: os clássicos jazem aos pés de nós, ociosos citadinos, polo módico preço de 18 euros mas, quem dos que por aqui passam (e poderia ficar durante horas ali) conhece quem é Jacob Burckhardt, o admirado catedrático da universidade de Basileia? Para não desiludir-me, quiçá ,seria preferível continuar na ignorância. Senti, confesso-o, uma súbita emoção ao recordar a sua amizade com Nietzsche e como este sempre o considerou um grande mestre, sem variar nunca a sua opinião sobre ele (como sim acontecera, por certo, com Richard Wagner).

Burckhardt (1818-1897) entendeu a actividade do historiador fora das concepções mais academicistas do idealismo hegeliano assim como do historicismo. Defendeu a história como uma tarefa que tinha como objectivo o próprio aperfeiçoamento da pessoa, tentando-a compreender desde categorias que a percebiam como uma forma de modelação estranha ao conceito de progresso. Em certo sentido, e contra o historicismo, Burckhardt entende a função idiográfica, singular, da ciência histórica: percebe-a como a construcção de uma narração em que o próprio historiador se realiza como artista e, sobretudo, como a história não é uma questão do passado mas do presente, misteriosamente presente. Há toda uma raiz ética implicada que não pode substentar-se numa suposta objectividade baseada em simples “factos”. Suspeitamos que se decantaria em favor de Samuel Butler contra o determinismo de Henry Festin Jones. Diz Jones: “Nem Deus pode cambiar a história”. Responde Butler: “ Não, Jones, só os históriadores podem fazê-lo” .

Viu na própria sociedade industrial e na modernidade (e aqui com ambiguidades e paradoxos) um princípio de dissolução e destruição que não parecia resolver-se numa superação, como pretendiam todos os “optimistas” hegelianos, positivistas e , em geral, a ideologia decimonónica. Era duramente criticado polo facto de que não estava ao dia das últimas descobertas e discussões académicas da sua disciplina. Mas a sua obra A cultura do Renascimento na Itália é um modelo de estudo duma época, mantendo-se perfeitamente actual. Mas o que o traz aqui são algumas frases sobre o contexto no que se joga a compreensão da “nossa época”e a maneira de opor o nacionalismo alemão (e outros) ao sentido antigo da cultura. No contexto está também o problema do filisteísmo e o seu compromiso com o êxito fácil ao serviço de uma identidade nacional, que não precissa compreensão apurada e profunda mas consignas que elevem o orgulho e a auto-estima. Para um suiço como ele quando todos estavam de acordo em algo era o momento de apanhar distância e ver que se passava aí propriamente. Nunca viu como um bem para a cultura alemã a unificação forçada pelas necessidades modernas do Estado, nem um bem a vitória alemã contra França . E esta visão influirá decisivamente em Nietzsche, como veremos num futuro post.

Temos aqui algumas das suas reflexões.

Depois de se dedicar à política uns quatro anos, Burckhardt diz:

Sobre a gente da minha índole não se podem construir os Estados. De aqui em diante, enquanto dure a minha vida, desejo ser um homem de bem, solícito para os semelhantes e boa pessoa privada... Não podo mudar o meu destino, e antes de que irrompa a barbárie universal (que me parece iminente), continuarei o meu aristocrático e deleitoso trabalho de cultura, para servir polo menos de algo o dia da inevitável restauração... Fora dos deveres inapeláveis, não quero mais experiências com o meu tempo, se não é o de salvaguardar quanto me seja dável o património da velha cultura europeia.”

O anti-estatalismo será também uma constante no pensamento de Nietzsche e a ideia de barbárie que maneja Burckhardt foi já utilizada por Goethe para referir-se aos alemães. A cultura prusiana, o Reich, quixo promocionar a Burckhardt a catedrático em Berlim, mas este declinou o convite. Preferiu a sua Suiça natal, um ambiente familiar e cívico onde um homem como ele podia dedicar-se a contemplar com distância o que considerava o início do “desastre” alemão:

Desengane-se a triste nação alemã se sonha que asinha poderá arrimar o mosquete e dedicar-se às artes da paz e à felicidade. Os dous povos mais civilizados do Continente condenaram-se a abdicar da cultura. Muito do que interesava e deleitava aos homens em Julho de 1870 resultará indiferente em 1871” (no contexto da guerra franco-prusiana).

Em vez da cultura, volta a estar sobre a mesa a simples existência. Por muitos anos, ao simples capricho do que se chamam melhoras responderá-se com a referência às imensas dores e perdas sofridas. O Estado voltará a assumir em grande parte a alta tutela sobre a cultura e mesmo a orientá-la novamente, em muitos aspectos, segundo os seus próprios gostos. E não está descartada a possibilidade de que ela mesma lhe pergunte ao Estado cómo quere que se oriente. Perante tudo, haverá que recordar à indústria e ao comércio, do modo mais cru e constante, que não são o fundamental na vida do homem. Talvez morrerá uma boa parte de toda essa folhagem luxuriosa da investigação e as publicações científicas, e também das artes; e o que sobreviva terá que impor-se um duplo esforço... Adjudicará-se ao Estado entre os seus deveres sem cessar crescentes, tudo aquilo que se crê ou se suspeita que não o fará por si só a sociedade. Tenho uma premonição que, ainda que pareça insensatez, não podo afastar da minha mente, e é que o Estado militar que se avizinha vai convertir-se numa grande fábrica. Essas hordas humanas dos grandes centros industriais não podem ficar abandonadas indefinidamente à sua fome e à sua codícia. Por força sobrevirá, se há lógica na história, um regime organizado para graduar a miséria, com uniformes e ascensos, em que cada dia comece e acabe ao toque do tambor”.

O dito acima foi exprimido 50 anos antes de Hitler e o III Reich. Quiçá para algo pode valer a história. E ainda:

Há tempo que estou convencido de que mui pronto o mundo terá que escolher entre a democracia total ou um despotismo absoluto e violatório de todos os direitos. Tal despotismo não será exercido polas dinastias, excessivamente sensíveis e humanas ainda para esse extremo, mas polas chefias militares de pretendido cariz republicano. Verdade é que custa muito imaginar um mundo cujos directores prescindam totalmente do direito, o bem-estar, a ganhança lícita, o trabalho, a industria, o crédito, etc., e apliquem um regime alicerçado exclusivamente na força. Mas esta ralé de gente terá de vir parar ao poder, por efeito do actual sistema de concorrências e participações da massa na deliberação política” (13 de Abril de 1882).

Democratas e proletários vão ficar submetidos a um terrível e crescente despotismo, ainda que se defendam com tremendos esforços, pois o nosso século não está chamado a realizar a verdadeira democracia”.

É necessário fazer comentários? Não é uma preclara visão do que foi o s. XX? Felizmente os homens melhoramos, não é?

Como curiosidade (mas provavelmente não casualidade) dizer que Titus Burckhardt, o estudoso da filosofia perene e tradicional, era o seu sobrinho-neto.

Bom , amigos, sabe-me a pouco mas vamos deixá-lo por aqui.

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